Segunda-feira, Junho 01, 2009

Peripécies do passado

Sempre desejava ser um dos muitos adolescentes e jovens que juraram a Bandeira, com as suas fardas verdes e lenços amarelos, amarados na garganta. Porque para mim, aquilo significava muito e era orgulho de muitos dos meus colegas naquela altura. Lembro-me de ter ido acompanhar a minha irmã mais velha no dia em que jurou a Bandeira. Não só estava bonita,como muitos dos seus colegas também estavam, mas a alegria que transmitiam contagiavam qualquer um, que ama aquela Bandeira. Lembro-me que todas as pessoas que passavam na hora de astear a Bandeira, paravam e ficavam em posição de sentido como sinal de respeito e consideração para com a pátria, não só os que estavam a andar a pé, mas também os que passavam de carro.

Na altura eu estava mais virado para a ginastica massiva, na arte de brincar com dois takos, vestido de branco e a rigor. Lembro-me que era um dos que foram seleccionados para representar a escola do Ensino Básico Revolução de Outubro, na grande apresentação da ginastica massiva no Estádio 24 de Setembro, na altura com relvas verdes, pinturas frescas, lampadas a funcionar e autofalantes em pleno. Também era orgulho de qualquer adolescente representar a sua Escola naquele grande evento. Infelizmente, por razões de saúde não pude participar na apresentação, mas fiz questão de estar no Estádio para ver os meus colegas a brincarem e a mostrar que era, e acredito que ainda é, possível fazer algo de bom e com uma organização de luxo na guiné.
Neste peripécie de recordações e lembranças, não podia deixar de mencionar a figura ou personalidade que marcou a minha geração e, não só, com boas e mãs referências. Refiro-me o General – Presidente Kabi na Fantchamna, mais conhecido por Nino Vieira. Adorado por muitos e odiado por muitos, mas que fingia interessado em “agradar” gregos e troianos...
Também lembro-me de muitos dos nossos mais velhos que corriam juntamente conosco para a estrada principal, desde quando existia somente uma faixa, que era fechada completamente ao transito normal, como posteriormente com as duas faixas, para ver passar o General - Presidente Nino Vieira, quando ia ou regressava duma viagem para o estrangeiro ou simplesmente quando deslocava para o Aeroporto Osvaldo Vieira para receber um outro Presidente que visitava a Guine-Bissau. Ficavamos, tanto crianças como os mais velhos, parados numa sombra, as vezes debaixo do Sol, a beira da estrada a espera de ver passar a carravana presidencial, muita das vezes passava de uma hora de atraso, mas la ficavamos nós a espera, para bater palmas e gritar ainda “Cabiii, cabiii, cabiii”. Acima de tudo, existia dois momentos que marcava o acontecimento, nomeadamente: as brincadeira de mota do Koto Braima e a passagem do Limousine, do Embaixador dos Estados Unidos da America, sem deixar de admirar também a famosa Polícia Transito Lalá, este último destacava-se por ser na altura a unica mulher polícia que andava de motorizada na altura.
Este acontecimento, não só representava a gratidão em relação aos que nos visitam, de algo para fazer e ocupar o tempo livre com algo mais produtivo, como representava também o renovar da confiança dos guineenses nos que deram as suas juventudes para tornarmos independentes. Mas infelizmente, os sinais transmitidos pelo povo aos que dirigiam os destinos da Nação foi inutil, pois estes não só não souberam compreende-los e interpretá-los como abusaram da confiança, do respeito, humildade e roubaram grosseiramente aquele mesmo povo.
Ao longo de todos estes anos da existência da Guiné-Bissau, como um país soberano e independente, os sucessivos (des) governantes procuraram estupidamente humilhar o povo, desvirtuando completamente o princípio de unidade e progresso.
A unidade, esta a tornar-se em desunidade e o progresso em retrocesso. O país caminha sem rumo, sem perspectivas, sem liderança, sem projectos.
A preocupação é cada vez maior, sem luz a fundo do tunel. A desilução atingiu os guineenses a um ponto que já não acreditam em quase ninguem, pois já passaram pela governação muitos dos ditos intelectuas guineenses que também não foram capazes de apresentar alternativas ou provar o contrário. Quase todos os que passaram pela governação, não apresentaram nada de novo ou de diferente.
Com as primeiras eleições pluripartidarias no país, foram chamados para o governo muitos jovens formados no estrangeiro, aparentemente podiam constituir uma mais-valia para o país, porque estudaram em países desenvolvidos e possivelmente poderiam apresentar uma outra forma de estar e fazer política. No entanto, foi o governo mais corrupto na história do país, desvalorizando completamente a ética política.
Depois do conflito político-militar, com a vitória do PRS, este partido humildemente chamou muitos dos intelectuais independentes para reforçarem o elenco governativa, porque o partido na altura não possuía quadros suficientes para garantir uma boa governação. Estes independentes também não conseguiram levar para a governação os seus conhecimentos e reforçar a governação.
Entretanto as eleições de 2004, o povo decidiu dar beneficio de dúvida ao PAIGC, depois de uma passagem na oposição, pensando que podiam aprender algo. Foi pior erro que o país cometeu, pois este partido provou mais uma vez que a missao deles terminou com a conquista da independência pela arma. Este partido não foi concebido para pensar o desenvolvimento do país e trabalhar para isso, o que provaram a todo mundo. Foi Partido-Estado durante 18 anos e não conseguiram proporcionar os guineenses minimamente o básico para a sua sobrevivência.
Este ciclo de desgovernação empobreceu o país em todos os níveis. Sendo o momento mais preocupante, a saída dos recursos humanos capacitados e de qualidades para o estrangeiro e, a não regresso de muitos que estudaram no estrangeiro ao país.
O país tomou outro rumo, onde a cultura de mediocridade, intriga e calúnia conquistava cada vez mais “respeito” e “admiração”; onde a corrupção se tornava uma referência “positiva” de Matchundadi; onde o banditismo conquistava mais “adeptos” e “simpatias; onde escola deixou de merecer consideração...
A interrogação que importa levantar, tem a ver com o caminho que se deve seguir, para tirar o país do marasmo em que se encontra, missão esta de responsabilidade de todos os guineenses e amigos da Guiné-Bissau, porque o país não pode continuar assim. É preciso que todos contribuam positivamente na busca de soluções, que existem, para que possamos proporcionar os nossos filhos e netos melhores condições de vida.
Juntos podemos conseguir.



Sábado, Setembro 20, 2008

A imperatividade da realização das eleições autárquicas na Guiné-Bissau

É imprescindível a realização das eleições autarquicas na Guiné-Bissau, sob pena de continuarmos a ter o poder concentrado em Bissau e sem capacidade de controlar todo o território e aplicar uma política de desenvolvimento nacional, devido ao condicionalismos de várias ordens que o país enfrenta.

No entanto, é preciso uma análise responsável em relação as condições socio-político, económico e estrutural do território para a realização do referido pleito. Pois é pertinente uma reorganização da nossa destribuição administrativa do território em relação aos sectores e secções, tendo em conta que a realidade vigente actualmente, levanta interrogações pertinentes a esse nível.

É, inegável o facto de que o país não está neste momento munido de condições mínimas para a realização destas eleições no seu todo, embora nada impede que se accionem mecanismos alternativos para a sua realização, adoptando estratégias viáveis para o seu sucesso, onde se poderá experimentar outras formas de contornar a situação, nomeadamente a realização parcial destas eleições em algumas zonas geográficas do país.

A proposta aqui levantada para um debate alargado, isto é, em relação as zonas que minimamente apresentam condições de ser autogeridos por uma administração do poder local, é a realização das eleições autarquicas em determinadas zonas, como por exemplo em: Bissau (Capital), Bolama, Cacheu e Gabu. Pois, numa primeira fase essas experiências podem contribuir positivamente na reestruturação e preparação do país para a realização das demais eleições autárquicas nas outras zonas. Esta estratégia poderá também permitir o descongestionamento da cidade de Bissau e a consequente desconcentração do poder na capital.

Não se pode pensar, muito menos falar, numa hipotética redução da pobreza na guiné, quando mais de 75% do seu território nacional não funciona minimamente, sem infraestruturas e recursos humanos.

Temos um país, onde tudo está concentrado numa capital sem capacidade para aglomerar a população que hoje possuí e também de dar respostas as necessidades e preocupações dos seus citadinos. A estratégia de concentração do poder, adoptada irresponsavelmente pelo PAIGC ao longo dos últimos anos acabou por empobrecer o país e sufocar a capital em todos os níveis.

O país precisa duma administração local funcional, que possa atrair investimentos económicos nas regiões, incentivando a produção local e a sua consequente transformação e escoamento dos produtos.

Por isso, é imperioso a realização das eleições autárquicas para salvar o país do caos que os actores da cena política guineense teimam em conduzir o país, levados pelos seus interesses mesquinhos, em detrimento do interesse nacional.

Quinta-feira, Julho 31, 2008

O defice político do PAIGC

Foram 6 dias que os paigecistas desperdiçaram estupidamente, para no fim não descutir nem o partido quanto mais o país, naquele que foi o congresso mais esperado, visto que foi adiado varias vezes, e mais desputado na sua história. Um congresso mediocre e ultrapassado, sem organização.
Esperava-se, eu pessoalmente, que este congresso constituíria o virar da página e afirmação deste partido, face aos desáfios políticos que este Sec. XXI exige. Com um novo modelo de estar e fazer política.
Ao longo de todo o congresso, não se descutiu o país, os grandes problemas por que passa a população, nos seus multiplos aspectos. O pior foi a ausência total dum debate consistente a volta do conflito interno no seio do partido. É ironico, mas foi o que aconteceu, os congressistas não descutiram as divergências internas que insistentemente amargura e desestrutura o partido, nem tão pouco os diferentes projectos políticos apresentados, através de moções de estratégias dos candidatos. Não se consegue saber qual é a visão ou projecto de desenvolvimento sustentado para o país, que este partido perspectiva.
Ficou inequivocamente provado a desorganização e falta dum projecto político saudavel que possa fazer face aos demais dificuldades ou problemas que o país enfrenta. O PAIGC, esta despido de ideias. Deixou à muito, e ficou provado nesta última assembleia magna, de fazer parte da solução que se quer para o país. O PAIGC, esta ultrapassado e pobre politicamente. É um partido fofo, fraco, sem visão, sem estratégia, ignorante... As trapalhadas no seio daquele que, infelizmente, é considerado o maior partido político guineense, envergonha qualquer observador, mesmo os menos atentos, do evoluir da situação política na guiné.
Este partido não acta nem desacta do seu passado negro e do subdesenvolvimento crónico em que conduziu o país, quer na ideia quer na acção.
O pós-congresso continuou a trazer a luz do dia, a irresponsabilidade que caracteriza a acção política deste partido, com convites absurdos e retiradas bruscos nos acordos assinadas sem analisar, à priori, os seus prós e contras. Vê-se um PAIGC a burrafar para com os problemas do povo e preocupados com os úmbigos dos seus actores da cena mais próximos.
Urge repensar o PAIGC, para que possa cabalmente preencher o espaço político que o merito eventualmente lhe concederá, poís não se pode continuar a dar-se ao luxo de ter partidos e políticos mediocres sem ideias e estratégias, na cena política guineense. A política tem que ser feito pelos que sabem e com provas dadas, com elevados níveis de exigências. Ja esta na hora de lutar contra a banalização política, presente no PAIGC e que também afecta os demais partidos politicos guineense.

Domingo, Março 09, 2008

Kumba Yalá - o mito político dos guineenses!

A possibilidade do país voltar a fazer história de mais um regresso ao poder dum outro Ex-presidente deposto por um golpe de Estado, constitui elemento duma análise política interessante para se perceber o actual quadrante político guineense.
O cenário dum potencial regresso à cadeira do poder de Kumba Yalá, esta a ser equacionado no seio do Partido da Renovação Social e não só. Com ausência de novos actores políticos credíveis e falta de liderança nos diferentes partidos guineenses, o emblorio parece cada vez mais possível. À seu favor joga também a vantagem conseguido em relação aos outros actores políticos da cena, com a sua política de “casca de banana”, com o qual conseguiu denegrir a imagem de muitos que o contestavam, fazendo passar posteriormente a mensagem de que os mesmos não passavam de meros oportunistas e mediocres políticos que não conseguem resistir um aliciante convite para cargos governamentais, mesmo que a priori, o mesmo se apresenta condicionado.
Estrategicamente “bem” pensado o seu actual exilo, em Marrocos, o Ex-presidente Kumba Yalá, esta a usar o seu maquiavelismo na lavagem da sua imagem negativo, deixado ao longo do seu curto reinado presidencial, e preparar os próximos embates políticos que se avizinham. A sua actual residência, de onde dirige as acções políticas do seu PRS, não foi por acaso. A sua excelente relação pessoal com o Rei de Marrocos, um fiel aliado dos Estados Unidos de America, pode estar ligado com a possibilidade de um potencial apoio dos Americanos ao Dr. Yalá nas proximas eleições legislativas e presidencial. Porque esta em jogo a geopolítica americana em conseguir um aliado forte na costa ocidental da Africa, onde a França tem um peso estratégico considerável. E através do Rei de Marrocos, de quem os americanos mantem uma aliança forte devido a contribuição deste país na luta contra o terrorismo internacional, a Guiné-Bissau, através dum acordo entre Dr Yalá e os americanos, poderá num futuro próximo aliar-se a esta luta internacional contra o terrorismo nesta zona de Africa.
Sendo o Kumba um político populista e demagogo, que conseguiu ao longo de todo este tempo constituir em eleitorado “fiel”, num país onde não se descuti o programa político, mas sim, a “Matchundadi”, que os candidatos conseguem fazer para comprar consciências e aldrabar os resultados eleitorais.
Mas a questão fulcral à saber é, ate que ponto este possível regresso poderá constituir uma mais vália para o país com desáfios acrescidos de varias ordens, onde tudo constituí prioridade, e que exige acima de tudo, não somente a vontade política, mas sim a capacidade e responsabilidade política para com a coisa pública. A interrogação é legítima, tendo em conta a desastrosa governação que o seu reinado deixou gravado no solo pátrio guineense.
O mito kumbista reside no facto de “ninguem” conseguir saber, quais são os outros trunfos em manga que o Dr. Yalá trará para a luta política nacional, que de certeza não será inocente.
Com o país em "suspense", a espera do que será o congresso do PAIGC, e o pós-congresso que coincidirá possivelmente com o regresso de Kumba Yalá ao país. Não se pode dissociar este facto paigecista com a estratégia kumbista, sendo que o resultado deste congresso deixará claro quem será o proxímo adversário político de Kumba.
Este congresso do PAIGC, indirectamente também, guarda parte do mito kumbista, visto que tudo gira a volta do Presidene General, Nino Vieira, que tem um acordo político sigiloso com o Dr. Yalá, e de quem todos (os candidatos à liderança do PAIGC) esperam um apoio claro.
Os dois proxímos meses deste ano, conseguirá esclarecer parte deste mito e permitir aos guineenses perceber minimamente que versão de Kumba iremos ter. Se será um Kumba moderno e inovador ou se será um Kumba tal e qual (radical, populista e demagogo). Embora não se pode esperar uma mudança acentuada no Kumba, mas sendo ele um mito tudo é possível. E uma mudança no sentido de cativar mais apoio dos eleitorados muçulmanos será fortemente trabalhado e aprofundado, porque ele já possui parte deste eleitorado.
Será importante continuar a acompanhar a acção Kumbista, para que possamos contribuir com uma análise coerente da política guineense.
Haver vamos!

Sexta-feira, Fevereiro 22, 2008

O próximo congresso do PAIGC: ajuste de contas ou reconciliação?

Os contactos multiplicaram entre os candidatos à liderança do maior partido da oposição guineense e os delegados eleitos para o conclave. Depois de sucessivos adiamentos do congresso, parece que desta vez, será mesmo para valer.
Com conflito interno que é dificil de compreender ou expor, consequência da zanga dos “compagnons de routes”, os delegados assumem uma responsabilidade acrescida na proporção em que, esta também em jogo a estrategia do Partido para as proximas eleições legislativas deste ano. Mas, a profundeza da divisão interna deixa muito a interrogar em relação a capacidade de analise e maturidade política, dos delegados desta Assembleia Magna, em saber escolher entre a velha geração de luta, liderado pelo candidato Bacai Sanhá, a geração de semi-roptura com o passado, liderado pelo candidato Carlos Gomes Junior, vulgo “Cadogo filho”, e a geração Abel Djassi (nome de luta de Amilcar Cabral), encabeçado pelo jovem Baciro Djá.
Importa neste congresso saber qual é o papel que jogará o actual Presidente da República, com uma influência muito consolidada no seio desta formação política. Dos trés candidatos, todos necessitam do seu apoio para se chegar a liderança do partido ou de em caso de vitória, para a reunificação do partido e preparar os desáfios do jogo democrático. Este será sem dúvida um encontro também de ajustes de conta entre os militantes deste partido, onde as demais traições, deixou muita magoa e ódio. A verdade de cada um será analisado e defendido de acordo com o grau de camaradagem conseguido entre os delegados e os tachos acordados como recompensa. Os grandes problemas do país, dificilmente poderá constituir preocupação dos concorrentes e dos delegados, será relegado para um plano menos interessante, nesta luta do poder.
O “Cadogo filho”, a tentar manter a sua liderança fragilizado e sem autoridade política, com o distanciamento cada vez maior dos seus “ditos” delfins a troco de lugares ministeriaveis, terá pela frente um Bacai Sanhá, que apoiou a sua candidatura as últimas eleições para à Presidência da República do qual saíu derrotado, e do jovem Baciro Djá, que era da cúpula dos apoiantes frenhos da candidatura do Bacai a Presidência da República.
A questão que se levanta, é de saber o porque de agora o Bacai ter virado contra o Cadogo, e o Baciro Djá a concorrer contra o Bacai, que em tempos julgou puder ser seu Presidente da República e hoje não alinha com ele para ser o seu Presidente no Partido?
Estamos perante uma novela tipicamente africana, que o “Papé de nha raça”, certamente transportará para os palcos do teatro guineense. A luta pelo poder no PAIGC, despiu o capote de honra de homens dignos desse nome e cimentou o cakrismo e o sapismo da claudicação.
Não se sabe, se se pode esperar muito deste congresso, enquanto tudo gira a volta do Presidente da República, João Bernardo “Nino” Vieira, que tem vindo a marcar à agenda política paigecista, dando benção aos que lhe lambem as botas para conseguirem um sorriso seu de dente branco esfregado com carvão e sal.
Esta instabilidade no seio do PAIGC, parece beneficiar consideravelmente a imagem do Presidente da República, dando-lhe margem de manobra de controlar a seu prazer o rumo dos acontecimentos neste partido. A reconcilhação interna é-lhe desfavorável, pelo que continuará a usar o seu maqueavelismo para continuar a controlar o desenrolar da situação neste partido.
É possível levantar a hipotese, dum eventual acordo entre o Bacai e o Baciro Djá, para delinear uma estratégia conjunta de derrotar o Cadogo, tendo em conta a intenção de Bacai de voltar a candidatar as presidenciais de 2010, porque de certeza com o Cadogo a frente do PAIGC, o Bacai não voltará a ter o apoio deste partido. No caso do desaparecimento do actual lider, e uma promessa dum alto posto ao Djá, o Bacai poderá continuar a sonhar com a Presidência da República. Mas, este congresso esta também ensombrado pelo acordo entre o Presidente Nino Vieira e o Kumba Yalá. Como o resultado deste congresso poderá clarificar quem será o potencial candidato do PAIGC as próximas eleições presidenciais, que terá como o seu forte adversário o Dr. Yalá, significa que poderemos ficar a saber o fundo deste acordo. Porque se o acordo se baseia no apoio do Presidente Vieira ao Kumba, ele (Nino) tentará de certeza aniquilar o Bacai neste Congresso, começando assim a retribuir o apoio recebido da parte do Kumba, que entrará em campanha eleitoral logo de seguida.
O embate mais duro que este conclave promete, será sem dúvida entre os ninistas e os cadoguistas, numa primeira fase. Segue-se numa fase subsequente, no caso do acordo entre Nino e Yalá ser para tirar do caminho o Bacai, entre os ninistas e cadoguistas “contra” o Bacai, que será visto como o grande oportunista. Em relação ao Djá, não se sabe até que ponto conseguirá representar a juventude, visto que a sua candidatura não reune consenso no seio da JAAC, base juvenil do PAIGC, partindo também ele desfalcado e longe de puder conseguir constituir a surpresa, mais haver vamos.
Não se pode esperar que não se comprem as consciências dos delegados, pois a maioria irá para o encontro deixando os filhos em casa de barriga vazia ou com um “tiro” garantido sem “mafé”, pelo que, se acontecer as “compras”, ganha quem pagou mais e perde a democracia e o país.
Estamos atentos

Domingo, Fevereiro 10, 2008

Guiné-Bissau: proximas eleições legislativas

Com as eleições legislativas à porta, os partidos políticos guineenses já estão no terreno, na tentativa de fazer passar a sua “mensagem”, junto duma população que se mostra cada vez mais a sua generosidade nas questões políticas.
De eleições em eleições, o país não conseguiu ainda encontrar o caminho para o tão almejado desenvolvimento sustentado, tanto falado e prometido por diferentes forças políticas nacionais.
Esse desinteresse convida a uma analise cuidada dos prós e contras das próximas eleições, na proporção em que as várias eleições realizadas não conseguiu trazer algo de novo, nem um novo elã, para fazer face aos desáfios que o país arrosta, neste mundo de globalização de que tanto se fala e que exige ser acompanhado de igual por igual, independentemente das assimétrias entre os países.
Este processo acontece num contexto extraordinário único, tendo em conta o tal “Pacto de Estabilidade Governativa” assinado entre os trés maiores partido políticos, válido também para esta eleição. Mas importa erigir algumas interrogações na médida em que, continua a pairar a dúvida em relação a continuidade do referido acordo, tendo em conta as fortes divergências internas nos diferentes partidos que compoem o referido pacto.
Ate que ponto este pacto tem sido útil ao país? Sera que o pacto é uma alternativa saúdavel para os problemas do país? Quem é que realmente dirige o governo proviniente do pacto?
Aqui pode-se tirar algumas considerações políticas essênciais, para uma reflexão cuidada da evolução polítiva guineense e responsabilizando os actores políticos da cena, a uma reavaliação das suas actividades partidárias que não tem ajudado minimamente no processo de consolidação democratico. Existe cada vez, maior divórcio entre a sociedade civil e a acção políltico partidaria guineense. A desconfiança e insatisfação da população junto dos políticos é enorme.
É manifestamente claro à ausência total duma estratégia política viável para o país. Os diferentes governos que assumiram a gestão do Estado, desde a abertura multipartidária, não conseguiram traçar linhas orientadoras saudaveis de governação, mostrando uma despreparação total da administração pública. O capote da dita experiência de que tantos exibem, provou N vezes, o quão é falso essa desculpa fantosh, com o qual muitos partidos bloquearam a rejuvenescimento nos seus seios, fechando as portas à inovações nos partidos.
No PAIGC, “A Lei de Bronze das Oligarquias” de R. Mitchels, no sentido mediocre do termo continua a condicionar de que maneira, a acção da nova geração, que acabam por sucumbir as estratégias maléficas de denegrir as imagens dos que querem promover a mudança no seio deste partido fechado para sí mesmo. Assiste-se nas acções do PAIGC, as mesmas tácticas retrogadas, sem uma visão clara, com os mesmos actores de sempre, fracos e ultrapassados. Um partido grande por fora, muito grande, e fofo por dentro.
O PRS, com o seu Lider incontestável, com um comando na mão à dirigir o partido a distância, a partir do Marrocos, tem vindo a surpreender pela "posítiva", mostrando ser o único a saber resolver os seus problemas internos, à bell prazer do Dr. Kumba Yalá, desculpando os que acha que tinham sido menos leal para com ele. Um PRS, que é arrastado pela popularidade do seu lider, embora com novas gerações de políticos, não conseguiu inovar, nem dar um novo impulso aquele partido que continua a viver a custa dos seus eleitores fieis, mobilizados pelo seu Lider Dr. Yalá. Neste partido, tudo depende do Dr. Yalá, o “dono” e “Supremo Chefe” [As Orações de Mansata, Abdulai Sila, 2007] do PRS.
Em relação ao PUSD, a dúvida é mais aguda, na medida em que continua por provar que realmente conseguirá sobreviver depois destas eleições, sabendo que já não podem contar com o Dr. Fadul que conduziu este partido e muitos políticos deste movimento ao poder. Um partido com uma liderança frágil, onde se confunde vontade com o mérito.
No computo geral, o país esta despido de políticos qualificados, com mérito e visão lúcida, deste mundo contemporâneo, em que não podemos ficar alheio, as responsabilidades que a acção política impõe. Não se pode continuar a admitir, este comportamento mediocre de mendigos e coitadinhos. Não se pode continuar a pensar somente nas ajudas externas, quando não se apresenta resultados condignos dos mesmos apoios.
É preciso uma nova fase política na guiné, onde o nepotismo, o clientelismo e amiguismo, deixará de existir, dando oportunidade a uma nova geração de políticos, responsáveis e comprometidos única e exclusivamente com o desenvolvimento do país, previlegiando o Savoir Faire, e onde as políticas favorecerão o povo, de forma à atrair este a colaborar no arduo trabalho de tirar o país do lamaçal em que foi estupida e ignorantemente colocado.
Por isso as próximas eleições, onde a população não conseguirá de certeza ficar indeferente, merece ser muito bem aproveitada pela classe política de forma a tentar começar a fazer pazes com a população, que tanto enganaram e humilharam ao longo de todos estes anos, sem nenhuma luz no fundo do tunel.

Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008

Reflexo da situação queniana face a consolidação da União Africana

Passado um mês pós-eleições quenianas, continuamos a assistir o impasse nas negociações para a paz. Aquele país africano, considerado como um exemplo de crescimento e sustentabilidade económica, mergulhou numa profunda crise pós-eleitoral, como consequência da alegada fraude eleitoral.
O que se esta a passar hoje no Quenia, merece uma reflexão serio daqueles que realmente pensam uma àfrica melhor e desenvolvida. Porque é incompreensível e inacreditavel no que esta a acontecer neste país, duma forma leviana, africanos estão a matarem-se uns aos outros, a sangue frio, sem dó nem piedade, duma forma horrível.
É preciso que os políticos africanos saibam usar o dialogo para o bem das populações, que ja sofrem da pobreza, da deslocalização forçada, da guerra, da corrupção..., de forma que as suas apostas e confianças, depositados nos governantes, sejam assumidos com responsabilidade, para o bem estar de todos. A Africa merece e precisa ser dirigido pelos seus melhores filhos, de forma a inverter a lógica da situação.
O africanos devem continuar a trabalhar, especialmente os próprios quenianos, na pacificação da Quenia quanto antes, sob pena daquele conflito tomar outros contornos, que possa desestabilizar aquela zona continental. Porque a solução esta no dialogo, por isso é importante ser usado.
A democracia em Africa, precisa ser repensado no intuito de evitar, situações do genero que tem perseguido este continente, eleição após eleição. Na maioria dos países africanos, depois das eleições, assiste-se sempre conflitos por causa dos resultados, que acaba por ser hipocritamente aproveitado pelos políticos oportunistas, de forma a provocar conflitos interetnicos.
Com o projecto da construção da União Africana, numa fase de intenso debate, porque julgo que o pós-cimeira, vém justificar ainda mais a necessidade da inclusão deste tema no debate inter-africanos e nacional de todos os países. Os africanos teem qe descutir ate exaustão, se necessário este projecto de união e contribuir plenamente na sua constituição.
Numa analise profunda da intervênção do Lider Supremo Líbio, M. Kadaffi, o velho conflito entre à Africa Norte e o resto da Africa, continua bem presente. E a chantagem em relação a deslocalização dos financiamentos, é um jogo político baixo para quem tem investido muito, embora duma forma errada, na sua política externa a favor da edificação da União Africana.
Verifica-se uma ausência total deste debate junto da sociedade civil africana. Todo o processo esta concentrado no topo a ser tratado politicamente, sem permitir que as populações opinam e participam na construção deste grande projecto, evitando o risco de vir a ser mais um outro projecto imposto, sem o seu consentimento.
Vamos construir à Africa com os Africanos e com todos os que pensam positivamente a Africa

Nova cara

O ano que ora se começa, marcará uma nova fase deste espaço, na medida em que os desáfios vão sendo cada vez maior, o que obriga uma nova dinámica e entrega, quer pessoal, quer dos que manifestaram a vontade de passar a colaborar na animação deste blog.
O verde que agora caracteriza a apresentação deste espaço, tem à ver com a necessidade de contribuir positivamente na inversão da compreensão do conceito Esperança, do continente verde, numa acção pragmatica e sustentado. Fazer sair a Esperança que encontra dentro dos que acreditam em Africa para fora, fazendo algo em pról do desenvolvimento do continente.
Esta nova fase exige muita sabedória e responsabilidade acrescida, para trabalhar na edificação duma cultura de paz, democracia e respeito pelos direitos humanos em Africa, com especial atenção para com a Guiné-Bissau.